O acordo Mercosul e a União Europeia terá reflexos importantes para o agronegócio e a cadeia de carnes do Brasil. E você sabe quais seriam eles?
Esse material foi produzido pelo nosso parceiro Scot Consultoria, como parte da Carta Conjuntura 12, de dezembro de 2024.
- O acordo Mercosul e União Europeia ainda não foi assinado – isso acontecerá uma vez que os textos negociados passem por uma revisão jurídica e sejam traduzidos para os idiomas oficiais dos países (os textos foram negociados em inglês).
- O acordo Mercosul e UE é bom para o Brasil e, em nossa interpretação, deverá trazer impactos positivos, principalmente, para o mercado de aves.
Após três décadas de negociações, acordo entre os blocos comerciais foi chancelado na sexta-feira, 6/12/24. O dia 6 de dezembro de 2024, ficou marcado na história dos países que compõem dois importantes blocos econômicos do mundo, o Mercosul e a União Europeia (UE).
Em Montevidéu, no Uruguai, dirigentes sul-americanos e europeus firmaram um acordo histórico, que era esperado e vinha sendo negociado, entre idas e vindas, por mais de três décadas, desde o início dos anos 1990.
O acordo Mercosul e União Europeia ainda não foi assinado – isso acontecerá uma vez que os textos negociados passem por uma revisão jurídica e sejam traduzidos para os idiomas oficiais dos países (os textos foram negociados em inglês).
O processo de revisão legal dos textos, que haviam sido negociados em 2019 e compõem a pauta central, está avançado. O anúncio em 6 de dezembro efetiva a conclusão das negociações entre os blocos.
A oferta realizada pelo Mercosul abrange ampla liberalização tarifária, com cestas de produtos submetidos a desgravação imediata ou linear ao longo de prazos que variam entre 4, 8, 10 e 15 anos.
A oferta da União Europeia também apresenta um escopo abrangente de liberalização, com cestas de produtos que terão desgravação imediata ou linear em prazos de 4, 7, 8, 10 e 12 anos.
Para o agronegócio, com destaque ao setor de carnes, o acordo traz pontos importantes. Na tabela 1, resumimos os produtos e como deverá ficar as condições de negociação com os países do Mercosul.
Tabela 1. Resumo com produtos e situação de tributação para o acordo entre Mercosul e União Europeia.

Fonte: Dados do MAPA
O quão significativo será para o setor brasileiro de carnes?
O governo brasileiro estima que, com o acordo, até 2044 o Produto Interno Bruto (PIB) terá um aumento de 0,34% – R$37,0 bilhões – apenas em função do acordo entre os blocos comerciais.
Em 2023, a compra de carnes (bovina, suína e de aves) pela União Europeia representou US$1,1 bilhão – ou 4,7% do faturamento somado da exportação de carnes.
Em 2024, o bloco, até novembro, permitiu um faturamento de US$896,8 milhões – ou 4,0% do faturamento total da exportação de carnes.
No setor de carnes, destacamos a carne de frango e suína, cujos nossos vizinhos e parceiros de Mercosul, não são grandes produtores e exportadores – ou seja, esperamos que as cotas sejam preenchidas, majoritariamente, pelo mercado brasileiro.
Apesar da participação em volume relativamente pequena, frente ao total exportado – as exportações de carnes de frango e suína, para a União Europeia, representaram, respectivamente, 4,3% e 0,03% do total exportado pelo Brasil, em 2023 e em 2024, até novembro.
Destacamos o preço e, consequentemente, faturamento. A União Europeia paga, em U$/kg, mais que a média do mercado para as carnes bovina, suína e de aves do Brasil.
Em 2024, para se ter uma ideia, o preço médio da carne de frango e suína exportada foi, até novembro, respectivamente, 49,5% e 34,3% maior que a média. Para a carne bovina, o preço pago pelo bloco europeu foi 68,8% maior que o média.
Tabela 2. Resumo das informações sobre a exportação de carne de aves, bovina e suína, para a União Europeia e todos os destinos, em 2024 (até novembro).

Fonte: Secex / Elaboração: Scot Consultoria
Ou seja, bom para o Brasil, que deverá exportar mais, com uma taxa menor – ou até mesmo isenta. No setor de carne bovina, o Brasil poderá aumentar a sua exportação para a União Europeia com a concretização do acordo.
Mas, há a ressalva de que hoje, no Mercosul, existem mais fornecedores potenciais para compor a cota de 99,0 mil toneladas com tarifa reduzida para 7,5% – Argentina, Uruguai e Paraguai são concorrentes do Brasil. É claro que, em volume, o Brasil destaca-se e, com isso, existe o potencial de aumento das vendas brasileiras.
Além disso, a Cota Hilton, acordo comercial que permite a exportação limitada de cortes de carne bovina de altíssima qualidade para a União Europeia (UE), cuja tarifa é de 20%, até volumes predefinidos para cada país – no caso do Brasil, o volume é de 8,9 mil toneladas anual –, passará a ter alíquota zero para até 10,0 mil toneladas a partir da assinatura do contrato.
Pode soar positivo, mas o Brasil nos últimos anos não chegou a usar toda a Cota Hilton – estima-se que o país tenha usado, deste mercado, apenas 30,0% do volume potencial. Considerando que Argentina e Uruguai utilizaram bem mais a sua parcela da Cota Hilton do que o Brasil, estimamos que a alíquota zero pouco influência terá no mercado brasileiro.
Por outro lado, o destaque é para a exportação à União Europeia em geral (sem considerar a Cota Hilton), que em 2024, o Brasil exportou 58,4 mil toneladas de carne bovina in natura para o bloco.
Para a carne suína, sendo a União Europeia um dos principais produtores do mundo e pouco importador, o acordo pouco deverá inferir em mudanças.
O acordo Mercosul e UE é bom para o Brasil e, em nossa interpretação, deverá trazer impactos positivos, principalmente, para o mercado de aves.
Firmado o acordo, abre-se o espaço para que outros mercados, mais exigentes, passem a olhar com outros olhos para o Mercosul – e, principalmente, para o Brasil.
É bem verdade que deverão crescer as pressões ambientais e outros pontos relacionados ao protecionismo comercial, mas conhecendo o sistema produtivo e a legislação ambiental de nosso país, vale a briga.
É esperar para ver.
Expedição Confina Brasil 2024
Finalizada a quinta edição, o Benchmarking Confina Brasil 2024 foi disponibilizado ao público nesta quinta-feira, 12 de dezembro. Para obter o estudo completo, basta se cadastrar no site oficial da expedição: confinabrasil.com.
Além disso, muitos desdobramentos desse relatório serão apresentados no Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria, que acontecerá de 8 a 11 de abril de 2025, em Ribeirão Preto (SP). Mais informações podem ser encontradas no site confinamentoerecria.com.br.
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